quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Esquema irrigou PT, PMDB e PP, diz ex-diretor da estatal

Ex-diretor, tido como %u201Chomem-bomba%u201D, fez acordo de delação premiada com a Justiça
Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa sustentou que dinheiro de corrupção teria ajudado a pagar campanhas eleitorais. O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, também teria participado das irregularidades.


Em seu primeiro depoimento à Justiça após ter feito um acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, afirmou que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ligado ao PMDB, também teria participado das irregularidades.  

Paulo Roberto disse ter recebido R$ 500 mil do presidente da Transpetro. O ex-diretor da estatal também citou José Eduardo Dutra, atual diretor da Petrobras e ex-presidente da BR Distribuidora, como participante dos esquemas do grupo. Dutra também presidiu o PT. 

Costa disse que o esquema de corrupção na estatal irrigou campanhas de três partidos nas eleições de 2010: PT, PMDB e PP, segundo apurou a reportagem. Naquele ano, foram disputadas eleições para presidente, governadores e deputados. 

No depoimento, Paulo Roberto afirmou que outros ex-diretores da Petrobras fizeram parte do esquema: Nestor Cerveró, Jorge Zelada e Renato Duque.
No depoimento, ele reconheceu ter recebido dinheiro da Odebrecht, citou o nome do executivo Márcio Farias como sendo seu contato, mas não citou valores, segundo informou o advogado Haroldo Nater, que defende Leonardo Meirelles, apontado como laranja do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen, usado para lavar dinheiro. 

Segundo a reportagem apurou, Paulo Roberto disse que a propina correspondia a 3% do valor líquidos de contratos da Petrobras, que eram divididos entre ele e partidos políticos.  

Afirmou também que o CNCC, consórcio liderado pela Camargo Corrêa, pagou propina para ganhar obras da Petrobras, segundo seu advogado, Antonio Augusto Figueiredo Basto. Basto disse que políticos lideravam o esquema, e não o doleiro Alberto Yousseff, como acusa a Polícia Federal. 

Costa foi levado nesta quarta-feira do Rio, onde está em prisão domiciliar, para Curitiba (PR), em um voo comercial da Azul, com escolta da Polícia Federal. 

Outro lado

O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, disse, em nota, que “trata-se de uma afirmação absurda e falsa”. Afirmou estar “indignado com a divulgação do suposto conteúdo de um depoimento dado a portas fechadas e sobre o qual não se tem nenhuma informação oficial”, além de afirmar que tomará “as providências cabíveis” e processará “quem quer que seja na defesa da Transpetro”.

Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, diz que não pode considerar qualquer declaração despida de provas e que ainda não sabe do que se tratam as declarações de Paulo Roberto Costa.
 

O Consórcio CNCC comunicou, por meio de nota, que não teve acesso ao depoimento e que repudia qualquer acusação de atuação irregular. (da Folhapress) 
Saiba mais
A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, revelou ontem que o então ministro das Cidades de Dilma Mário Negromonte (PP-BA) indicou ao doleiro Youssef a compra de uma empresa de rastreamento de veículos de Goiânia (GO). 
A ex-contadora afirmou ainda que emitiu R$ 7 milhões em notas fiscais frias durante os anos em que prestou serviços para o doleiro. As declarações foram dadas durante depoimento à CPI mista da Petrobras.

Negromonte, que era deputado federal pelo PP da Bahia, renunciou ao cargo para assumir cadeira no Tribunal de Contas dos Municípios. Poza fez a referência quando dizia que não tinha informações sobre contratos de empreiteiras ligadas ao esquema de Youssef com a Petrobras. 

Com Informações: O Povo online